1 de maio de 2024

A linha tênue entre o conservadorismo e o liberalismo materno: consultorias de sono e desmame sendo vendidos como empoderamento feminino.

Por veronicalinder

Eu só notei essa lógica quando me posicionei a favor da discriminalização do aborto. As mulheres ficaram chateadas comigo: como assim vc promove e defende a amamentação mas é a favor de morte de bebê? E foi aí que a ficha caiu. O aborto é política pública feminina, e as consultorias de sono, desmame são vendidas dentro desse mesmo slogan: “meu corpo minhas regras” Quando você se opõe a essa lógica, vai cair no conservadorismo de a mulher amamenta e fica em casa – a família tradicional – pq a sociedade não vai apoiar essa dupla função – pq não é viável fisica e mentalmente né (A gente é um bando de fu**da sobrecarregada)

Essa lógica vai vender terceirização da criança dentro da humanização: gradual, gentil. e qq outro nome que aparecer para dizer que não é tão ruim assim intervir num processo de necessidade, fisiológico, neurológico. E sim, vc tem todo direito de fazê-lo mas dizer: “ah tá tudo bem” é outro papo.

Amamentar não é insitintivo. Amamentar depende de vários fatores sócio-culturais, o tempo da amamentação, por exemplo, depende muito do contexto onde essa mulher esta inserida. – a lógica patriarcal, racista e capitalista é a nossa cultura e é preciso questionar. Pq preciso de técnicas de passar macarrão no buraco associados a motricidade fina ao invés de conversar com meu filho?

Em uma sequência de stories no Instagram em 2019 eu disse que amamentação é relacionamento, que o desmame faz parte, é óbvio, e é preciso diálogo e não de técnicas que não tem evidência que funcionam e nem quais consequências psicólogicas podem acontecer.

Quando comecei a amamentar não conhecia nem sabia o tempo de amamentação de mulheres que eu convivia, só sabia que tinha que dar chupeta e mamadeira. Foi em rede social que busquei apoio, foi em cursos capacitantes – que não indico – que formei minha crítica a esse sistema, foi convivendo com mulheres – virtualmente – que entendi que as estruturas do sistema não-amamentação são lucrativas e vão usar: ‘”‘né, mas vc não é meu corpo minhas regras? Tu não é feminista? Mas e a carga mental materna?” -e essa lógica seduz, provoca e instiga.

um feminismo que não olha pra infância não me serve, e é essa a minha proposta aqui. Subverter o que nos foi ensinado. O bagulho é saúde, e saúde eles vendem, mas não tem preço .. Pq saúde mental não se compra.

#maiofurtacor #maternidadepolitica #amamentacao